O Ser Humano Integral

Formação Integral do Ser Humano na Perspectiva de Viktor E. Frankl

Viktor E. Frankl

O objetivo deste artigo é falar sobre a contribuição de Viktor E. Frankl (1905–1997) à educação do jovem educando, procurando compreendê-lo a partir da concepção tridimensional do homem – orgânica, psíquica e noética (dimensão espiritual, especificamente humana), que busca o sentido existencial no mundo, confrontando-se continuamente com valores criativos, vivenciais e atitudinais. Esta visão orientada pela vontade de sentido ressalta a necessidade da promoção de práticas educativas significativas e específicas que coopere para uma educação de qualidade na formação de um sujeito responsável e consciente de seu papel social.Com vistas a ampliar o conhecimento a respeito do processo educativo e suas relações de ensino-aprendizagem de suma importância para formação humana numa visão integrada.

A Formação Integral do Ser Humano

Ser Humano Integral GeralA Formação Integral do Ser Humano relaciona-se à compreensão da pessoa em sua totalidade, visando o desenvolvimento pleno de suas potencialidades.

Na concepção de Viktor Frankl (2013a), a pessoa é um ser de múltiplas dimensões, qual seja biológica, psíquica e espiritual, esta última entendida como a dimensão valorativa, intelectual, artística, podendo ser também religiosa.
Viktor E. Frankl (1905 – 1997), o psicoterapeuta, o cientista, o filósofo, o pensador, como o intitulava uma educadora amiga de seus pais, quando ele ainda criança, influenciou e continua influenciando várias áreas do saber, inclusive no ambiente educativo, com a sua teoria do Sentido da Vida e Análise Existencial.

Esta proposta educacional se destina à formação do sujeito autônomo, responsável por si, pelo outro e pelo seu ambiente, capaz de transcender a mera adaptação social.Segundo o educador Paulo Freire (2014a, p.53) “(…) minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta, mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história”. É uma formação orientada pela possibilidade do indivíduo encontrar sentido e dar significado a sua aprendizagem no processo educativo que tem por finalidade o acesso a conhecimentos científico-tecnológicos básicos, imprescindíveis no desenvolvimento de competências e habilidades;mas que também desenvolva atitudes e valores vinculados à práxis da autonomia, da reflexão, da crítica para a promoção da integridade humana.

Considerando que, na jovem geração, os sujeitos se deparam com problemas como depressão, agressão, dependência de drogas que podem ser devidos ao vazio existencial (Frankl, 2013b), a percepção de sentido, ou seja, a tomada de consciência de uma possibilidade em uma situação concreta e determinada é importante para a realização significativa da existência humana.

Sem ignorar as dicotomias entre teoria e prática, educação geral e profissional, a formação pode ser articulada com vistas a proporcionar ao jovem educando a relação dos conceitos com o contexto de produção do conhecimento em que ele está inserido, evidenciando uma educação significativa, de forma que o indivíduo construa o seu projeto e encontre sentido na vida.

Análise Existencial e Projeto de Vida

Projeto de VidaDo ponto de vista teórico da análise existencial, Viktor Frankl (2013a, p.23) diz que: Pelo fato de o ser humano estar centrado como indivíduo em uma pessoa determinada (como centro espiritual existencial), e somente por isso, o ser humano é também um ser integrado: somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano. Ela forma essa totalidade como sendo biopsicoespiritual.

O homem é mais que a dimensão psicofísica, é uma unidade tridimensional – dimensão orgânica, psíquica e noética (espiritual) – corpo, psíquico, espírito, por princípio “antropologicamente inseparáveis uns dos outros” (Frankl, 2012, p.64). Único ser – pessoa espiritual – que pergunta pelo sentido da vida.

Podemos então dizer que o homem é um ser singular, numa pluralidade cultural, sendo assim um sujeito “complexus – o que é tecido junto”(Morin, 1997, p. 44) que se relaciona consigo mesmo, com o outro e com o universo.

Ao construir sua identidade, pressuposta de liberdade e autonomia, o homem torna-se sujeito do ecossistema a que pertence de forma processual, dinâmica e contínua.

Diante da complexidade que envolve o ser humano e o seu processo de aprendizagem, percebe-se que a dificuldade de aplicabilidade dos saberes que constituem os pilares da educação – Aprender a Conhecer, Aprender a Fazer, Aprender a Viver Juntos e Aprender a Ser – fundamentais para a formação do sujeito autônomo, criativo, responsável por si e pelo outro, demonstra uma realidade preocupante da situação brasileira, implicando, assim, em uma formação educativa que não completa e não ressalta os significados humanísticos.

Posto que a educação somente faz sentido a partir de um sentido específico da vida de uma pessoa numa situação particular, a existência humana “não deveria procurar um sentido abstrato para a vida. Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir realização.” (FRANKL, 2013b, p. 133).

Desta forma, o ensino de uma visão abstrata, racional e iluminista pode ser substituído e compreendido por meio do contexto histórico e social do processo educativo e da composição dos conhecimentos essenciais à formação integral humana, que tem por objetivo a busca do sentido na vida.

Aquino, Damásio e Silva (2010, p.49) contribuem dizendo: “se o sentido da vida tem de ser buscado, ainda que se modifique dinamicamente, é coerente falar em projeto de vida”. Salientando que “(…) o verdadeiro sentido da vida deve ser descoberto no mundo, e não dentro da pessoa humana ou na sua psique, como se fosse um sistema fechado” (Frankl, 2013b, p.135).

A educadora Moraes (2003, p. 48-49) ressalta esta importância quando diz que: “viver e aprender são coisas que não se separam, já que vida, experiência e aprendizagem estão intrinsecamente ligadas, uma colaborando com a outra. (…) No mesmo instante em que vivemos, convivemos e nos comunicamos através de diferentes tipos de linguagens (…)”.

O projeto de vida é resultado de um processo de aprendizagem, decorrente da liberdade de escolha,posto que, “o projeto, como parte do dever-ser, tem como objetivo a busca do sentido na vida e se dirige para a consecução dos valores na área da liberdade humana (Aquino, Damásio e Silva, 2010, p. 49)”. O ser humano é chamado a fazer escolhas a todos os momentos,a tomar decisões, a agir e se responsabilizar por elas.“Nem somos, mulheres e homens, seres simplesmente determinados, nem tampouco livres de condicionamentos genéticos, culturais, sociais, históricos, de classe e de gênero que nos marcam e a que nos achamos referidos” (Freire, 2014a, p.97). Pois o homem é o ser que está para além da sua condição, configurando-se ao longo da sua existência.

Não há dúvidas de que “(…) como experiência especificamente humana, a educação é uma forma de intervenção no mundo” (Freire, 2014a, p.96).

Neste sentido, faz-se necessário pensar dimensões articuladas que pode nos ajudar a dar um sentido para a educação que aspiramos como: as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como fundamento teórico e prático da formação humana integral e pressuposto para a construção dos projetos de vida de nossos educandos.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *